Objetivo

Este blog foi criado para divulgar as atividades do Grupo 8 do curso “Melhor Gestão, Melhor Ensino”, Turma 214, oferecido pela SEE – SP. Nós, criadoras deste blog, somos professoras da Diretoria de Ensino – Região de Jales e, temos o objetivo de transformá-lo numa importante ferramenta para incentivar a leitura e escrita, desenvolver a criatividade e compartilhar experiências.

domingo, 16 de junho de 2013

CURSO: MELHOR GESTÃO, MELHOR ENSINO – TURMA I
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM DE LEITURA E ESCRITA

Grupo:
Erica Diane Garcia Bozada- EE Carlos de Arnaldo Silva

 Grupo:
Angela Maria Cereli Romanzzini
Erica Diane Garcia Bozada- EE Carlos de Arnaldo Silva
Marcia Cristina Cavenaghi
Marcia Raquel Guarnieri Sabiao

Público-alvo: 9º ano / 8ª série
Aulas previstas: 02 semanas

Texto: Pausa
Autor: Moacyr Scliar

PAUSA

Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para o banheiro. Fez a barba e lavou-se. Vestiu-se rapidamente e sem ruído. Estava na cozinha, preparando sanduíches, quando a mulher apareceu, bocejando:
            —Vais sair de novo, Samuel?
Fez que sim com a cabeça. Embora jovem, tinha a fronte calva; mas as sobrancelhas eram espessas, a barba, embora recém-feita, deixava ainda no rosto uma sombra azulada. O conjunto era uma máscara escura.
            —Todos os domingos tu sais cedo – observou a mulher com azedume na voz.
            —Temos muito trabalho no escritório – disse o marido, secamente.
Ela olhou os sanduíches:
            —Por que não vens almoçar?
            —Já te disse: muito trabalho. Não há tempo. Levo um lanche.
A mulher coçava a axila esquerda. Antes que voltasse a carga, Samuel pegou o chapéu:
            —Volto de noite.
As ruas ainda estavam úmidas de cerração. Samuel tirou o carro da garagem. Guiava vagarosamente, ao longo do cais, olhando os guindastes, as barcaças atracadas.
Estacionou o carro numa travessa quieta. Com o pacote de sanduíches debaixo do braço, caminhou apressadamente duas quadras. Deteve-se ao chegar a um hotel pequeno e sujo. Olhou para os lados e entrou furtivamente. Bateu com as chaves do carro no balcão, acordando um homenzinho que dormia sentado numa poltrona rasgada. Era o gerente. Esfregando os olhos, pôs-se de pé:
            —Ah! Seu Isidoro! Chegou mais cedo hoje. Friozinho bom este, não é? A gente...
            —Estou com pressa, seu Raul – atalhou Samuel.
            — Está bem, não vou atrapalhar. O de sempre - Estendeu a chave.
Samuel subiu quatro lanços de uma escada vacilante. Ao chegar ao último andar, duas mulheres gordas, de chambre floreado, olharam-no com curiosidade:
            —Aqui, meu bem! – uma gritou, e riu: um cacarejo curto.
Ofegante, Samuel entrou no quarto e fechou a porta a chave. Era um aposento pequeno: uma cama de casal, um guarda-roupa de pinho: a um canto, uma bacia cheia d’água, sobre um tripé. Samuel correu as cortinas esfarrapadas, tirou do bolso um despertador de viagem, deu corda e colocou-o na mesinha de cabeceira.
Puxou a colcha e examinou os lençóis com o cenho franzido; com um suspiro, tirou o casaco e os sapatos, afrouxou a gravata. Sentado na cama, comeu vorazmente quatro sanduíches. Limpou os dedos no papel de embrulho, deitou-se fechou os olhos.
Dormir.
Em pouco, dormia. Lá embaixo, a cidade começava a move-se: os automóveis buzinando, os jornaleiros gritando, os sons longínquos.
Um raio de sol filtrou-se pela cortina, estampou um círculo luminoso no chão carcomido. 
Samuel dormia; sonhava. Nu, corria por uma planície imensa, perseguido por um índio montado o cavalo. No quarto abafado ressoava o galope. No planalto da testa, nas colinas do ventre, no vale entre as pernas, corriam. Samuel mexia-se e resmungava. Às duas e meia da tarde sentiu uma dor lancinante nas costas. Sentou-se na cama, os olhos esbugalhados: o índio acabava de trespassá-lo com a lança. Esvaindo-se em sangue, molhando de suor, Samuel tombou lentamente; ouviu o apito soturno de um vapor. Depois, silêncio.
Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para a bacia, levou-se. Vestiu-se rapidamente e saiu.
Sentado numa poltrona, o gerente lia uma revista.
            — Já vai, seu Isidoro?
            —Já – disse Samuel, entregando a chave. Pagou, conferiu o troco em silêncio.
            —Até domingo que vem, seu Isidoro – disse o gerente.
            —Não sei se virei – respondeu Samuel, olhando pela porta; a noite caia.
            —O senhor diz isto, mas volta sempre – observou o homem, rindo.
Samuel saiu.
Ao longo dos cais, guiava lentamente. Parou um instante, ficou olhando os guindastes recortados contra o céu avermelhado. Depois, seguiu. Para casa.

                                                                    (in: Alfredo Bosi, org. O conto brasileiro contemporâneo. São Paulo: Cultrix, 1977. p. 275)
  

I)Antes da leitura (ler nas linhas)
Objetivos: (capacidades de leitura e escrita a serem trabalhadas)
● Levantamento do conhecimento prévio sobre o assunto.
● Expectativas em função da formatação do gênero (divisão em colunas, segmentação do texto...)
● Expectativas em função do autor ou instituição responsável pela publicação.

1- Ao ler o título do texto, o que você acha que ele sugere?
2- Você já ouviu falar do autor do texto? Se sim, que gênero textual ele costuma escrever (conto, poesia, crônica, HQ...)?
3- Onde seus textos são publicados?
Metodologia: Leitura expressiva; Leitura compartilhada; Discussão oral;

II) Durante a leitura (ler nas entrelinhas)
Objetivos: (capacidades de leitura e escrita a serem  trabalhadas)
● Construção do sentido global do texto;
● Identificação das pistas lingüísticas responsáveis por introduzir no texto a posição do autor.

1) Leitura expressiva em voz alta feita pelo professor, com pausas compartilhando e instigando os alunos a preverem o que irá acontecer (provocações).
— Todos os domingos tu sais cedo — observou a mulher comazedume na voz.
— Temos muito trabalho no escritório — disse o marido,secamente
(Pausa na leitura para provocação) Vocês acham que o marido realmente irá trabalhar? Onde ele irá?
- Ah! seu Isidoro! Chegou mais cedo hoje.
(Pausa na leitura para provocação)Por que vocês acham que o recepcionista chamou-o de Izidoro?
- Estou com pressa, seu Raul - atalhou Samuel.
- Está bem, não vou atrapalhar. O de sempre. - Estendeu achave.
Samuel subiu quatro lanços de uma escada vacilante.
(Pausa na leitura para provocação) O que vocês acham que ele foi fazer lá?
2) Releitura silenciosa feita pelos alunos indicando as palavras cujos sentidos são desconhecidos.
3) Análise lingüística:
- período simples e composto;
- período composto por coordenação;

III) Depois da leitura (leitura aprofundada- informações implícitas)
Objetivos: (capacidades de leitura e escrita a serem trabalhadas)
·         Construção de síntese semântica do texto;
·         Troca de impressões a respeito dos textos lidos, fornecendo indicações para sustentação de sua leitura e acolhendo outras posições.

1)Retomar os questionamentos iniciais, esclarecendo as dúvidas quanto ao gênero conto.
2) Retomar o questionamento a respeito do conhecimento prévio sobre o título Pausa. Após a leitura qual a relação do texto com o título?
3) Quanto ao personagem principal:
- defina suas características psicológicas.
4) Quanto ao espaço:
- identifique no texto os marcadores espaciais.
 - Chamar atenção dos alunos para as condições do hotel em que a personagem se hospedava. A partir disso, qual a condição social de Samuel?
5) Quanto ao tempo:
- identificar no texto os marcadores temporais.
- qual o tempo de duração da história.
- o enredo é linear ou não linear.
6) Quanto ao narrador:
Pedir aos alunos que identifique o foco narrativo do texto.
Análise lingüística:
- período simples e composto;
- período composto por coordenação;

IV- Produto Final:
Leitura do texto “Dois Velhinhos” de Dalton Trevisan
Análise oral comparativa das questões sociais do texto “Pausa”
Pedir aos alunos que produzam um conto que deverá ser lido pelos alunos  em um sarau literário.
 
V) Referências
Letramento e capacidade de leitura para cidadania – Rojo, Roxane
Gêneros orais e escrito na escola – Joaquim Dolz e Bernard Schneuwly

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